GIG Economy: a flexibilidade que você sonha também pode te escravizar

Set 25, 2024

Para nossos pais, ter uma carreira sólida é sinônimo de trabalhar em uma ou algumas poucas empresas, subir degrau por degrau na hierarquia organizacional e receber estabilidade e recompensas financeiras por isso. Mas, essa dinâmica de trabalho não existe mais e dá espaço para um novo paradigma cheio de contradições.

Nesta News, você vai descobrir que novo paradigma é esse, como ele está transformando o mundo do trabalho, qual é o papel da tecnologia e da flexibilidade nisso tudo, e quais tendências apontam para a necessidade de você também ter que redefinir sua rota de carreira.

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A parte da História que você pode ter perdido

Desde os anos 1990, a internet e as novas tecnologias vem revolucionando o trabalho e aproximando as pessoas numa verdadeira comunidade global. A chamada Nova Economia substituiu a lógica da produção em massa, baseada na especialização de tarefas e pelo comando-controle. 

Diante de um mundo cada vez mais complexo e imprevisível, as organizações adotaram a flexibilidade como a nova regra dos negócios. Como consequência, assumiram a flexibilidade nas estruturas tradicionais de trabalho, nos processos de gestão, na tomada de decisões e na forma de realização das tarefas em si. Tudo para tornar as formas de trabalho mais maleáveis e ajustáveis às demandas do trabalho. A premissa passou a ser: 

Empresas flexíveis demandam profissionais flexíveis

Assim, o emprego para a vida toda em uma mesma organização deixou de existir e deu espaço para a valorização de profissionais com perfil dinâmico, adaptável e capaz de mobilizar diferentes competências para dar conta de resolver problemas dos mais diversos em um ambiente altamente flexível. 

De um lado, passou-se a ter um grande incentivo para ações de desenvolvimento profissional e de ampliação de competências. E também para que as pessoas adotassem a flexibilidade em sua concepção de carreira, assumindo a responsabilidade por seu crescimento e trajetória profissional. 

Aos poucos essa concepção se estruturou em contratos de trabalho por demanda, caracterizando o profissional autônomo, que atua por projeto, de forma temporária e sem vínculos empregatícios na chamada Gig Economy

O que só foi entendido depois de um tempo foi que, ao aceitar esse novo modelo de relação de trabalho, na mesma proporção em que as pessoas ganhavam mais liberdade, perdiam estabilidade e segurança. 

Ou seja, o custo de não precisar aturar um chefe controlador e de estabelecer seus horários e rotina de trabalho foi correspondente ao de perder benefícios, garantias e direitos trabalhistas até então arcados pelas organizações e governos.

Segundo o IBGE, no 2º trimestre de 2024 foi registrado uma taxa de desemprego de 6,9% (7,5 milhões de pessoas) e uma taxa de subutilização da força de trabalho de 16,4%. Já a informalidade teve sua taxa registrada em 2023 em 39,1%.

Dois mundos num só mundo

Diante dessa nova dinâmica de trabalho regida pela flexibilidade, podemos observar dois movimentos acontecendo, aparentemente, em diferentes direções. 

De um lado, os profissionais com alta qualificação profissional, especialmente os que estão se adaptando para atuar de forma integrada com as novas tecnologias, estão vivenciado a flexibilidade como a solução para ganhar mais qualidade de vida e equilibrar interesses pessoais e profissionais. 

Por outro lado, os profissionais com mais baixa qualificação profissional, enfrentam sérias dificuldades de manter sua empregabilidade e passam a aceitar trabalhos temporários e intermitentes, e muitas das vezes, em situações precárias e de alto  risco. 

Além disso, cresce a informalidade e a atuação no setor de serviços via aplicativos, a chamada Uberização do Trabalho. Não é raro encontrar entregadores ou motoristas por aplicativo que precisam trabalhar 12 horas por dia para conseguir ter uma renda mensal de um salário mínimo e sem nenhum tipo de seguridade.

De qual Futuro do Trabalho estamos falando?

Frente a essa realidade, todas as luzes vermelhas se acenderam e discussões sobre qual é o Futuro do Trabalho que estamos construindo também chegaram até nossa realidade profissional. O que todos perceberam é que a flexibilidade pode ter dois lados, mas continua sendo a mesma moeda. 

A pandemia da COVID-19 acelerou ainda mais essas discussões. Depois de um período de isolamento, crise econômica, e de viver na pele o encontro forçado entre as esferas de família e trabalho, a promessa de autonomia e equilíbrio da Gig Economy e do Home Office parecia ser a solução perfeita para driblar a rigidez das carreiras tradicionais. 

É possível equilibrar essa balança?

A professora Tracey Warren da University de Nottingham, em seu artigo Work–life balance and gig work: ‘Where are we now’ and ‘where to next’ with the work–life balance agenda?, nos faz olhar além dessa promessa ao afirmar que a flexibilidade pode na verdade intensificar o desequilíbrio entre vida e trabalho, especialmente para pessoas em situações de vulnerabilidade. Sua linha de argumentação é: 

  • Trabalhar por conta própria, sem a segurança de um contrato fixo, significa lidar com a imprevisibilidade de renda e de horários;
  • O que parece ser liberdade pode se transformar em insegurança e sobrecarga;
  • Sem segurança financeira, o tempo livre não traz o alívio esperado;
  • Grupos diferentes são afetados de formas diferentes. O maior exemplo são as mulheres que já lidam com a dupla jornada de trabalho e responsabilidades domésticas.

Quais soluções podem ser construídas?

Tracey Warren sugere que vamos precisar de uma abordagem mais sistêmica e inclusiva, que reconheça as realidades financeiras e sociais de cada trabalhador. Por trás da fachada brilhante da flexibilidade, há desafios que precisam ser enfrentados com políticas mais robustas e uma compreensão mais profunda das necessidades individuais.

Lembrando que o conceito de Trabalho Decente integra a Agenda 2030 das Nações Unidas, representado pelo Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) número 8 e engloba remuneração justa, segurança no ambiente de trabalho, proteção social, fim do trabalho infantil e a garantia de direitos trabalhistas.

O ODS8 faz parte do Manifesto da Campos Futuros. Estamos comprometidos em cultivar CAMPOS férteis para o Desenvolvimento Humano e em contribuir com uma sociedade que garanta trabalho digno e oportunidade para todos.

Por isso, os nossos serviços são pautados num olhar crítico e construtivo para que nosso Futuro do Trabalho Desejado  (tecnológico, humanizado, plural e consciente) seja construído por todos e para todos. 

O convite é para que você também se torne um Mentor do Futuro – um especialista em Transformações do Trabalho, Adaptação de Carreira e Empoderamento Profissional. Conheça!

🌟#inspiração

“Se herdamos nosso passado de nós mesmos, podemos nos tornar agentes de mudança e cocriadores de Futuros Possíveis e Desejados. E para todos.”

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ELZÍ CAMPOS

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